O Dia de Finados, celebrado no último
domingo, 2, movimentou os cemitérios de São João
del-Rei. Mais de três mil pessoas passaram somente pelo Cemitério
Municipal durante todo o dia, segundo informações do coveiro
Darci Mateus de Paula. Além de reverenciar parentes, amigos e
companheiros mortos, os são-joanenses aproveitaram para comparecer
ao túmulo mais visitado, o da “jovem desconhecida”.
Piedade, fé e também muita curiosidade levaram centenas
de pessoas a depositarem flores, acenderem velas ou simplesmente observarem
a sepultura da menina, morta no dia 1º de janeiro de 1970. Relatos
dos presentes divergem sobre a maneira como ela foi assassinada. Não
se sabe, também, qual era seu nome e tampouco a sua origem. A
única certeza é que sua misteriosa morte comoveu a população,
que, desde então, passou a freqüentar o cemitério
para orar pela alma da jovem e, ainda, fazer pedidos.
Zuleima Barbosa Félix se mudou para São João del-Rei
em 1982 e “desde então acendo vela para a menina e já
tive diversas graças alcançadas”, contou. Ao contrário
de Zuleima, que conheceu a jovem através de comentários
do povo, Mercês Amaro acompanhou toda a história. E desde
o assassinato ela vai ao cemitério rezar, agradecer e rogar.
A devoção à “jovem desconhecida” é
tão grande que foi passada para outras gerações
da família, como a sua filha, que à época tinha
apenas um ano de idade e agora, com 36, acompanha a mãe nas visitas
ao jazigo. “Quando queremos ter alguma solicitação
atendida, visitamos o túmulo durante oito segundas-feiras consecutivas”,
explicou Mercês Amaro.
Flores
O funcionário público aposentado, Cid da Silva Rios, há
20 anos aproveita a data para incrementar a renda familiar com a venda
de flores artificiais na porta do cemitério. Segundo ele, a média
de preço, esse ano, girou em torno de R$ 2,50 e R$ 3,00. Mas,
por conta do aumento da concorrência, o vendedor acredita que
houve queda nas vendas. “A estimativa é que mantivemos
os números de 2007, quando vendemos 200 peças”,
declarou.
Para garantir o lucro, Cid Rios chegou ao cemitério às
4 horas. Já o comerciante Reginaldo Luís do Nascimento
foi ainda mais precavido e conquistou seu lugar às 3 horas. Em
sua barraca, improvisada em cima de uma bicicleta, os buquês custavam
R$ 3,00 e o vaso R$ 2,00. De acordo com Reginaldo do Nascimento, a crise
financeira mundial, que elevou o valor do dólar, afetou o comércio
de flores, já que elas são importadas. “Houve um
aumento de 45% no preço e o vendedor ambulante, que não
tem a mesma estrutura que os lojistas, fica em desvantagem”, analisou.
Dengue
A prevenção contra o mosquito da dengue também
marcou o Dia de Finados. Faixas e materiais informativos estavam distribuídos
pelo cemitério, atentando para os cuidados que a população
deve ter, principalmente com a água parada em recipientes de
plantas. Consciente da necessidade de se precaver, Reginaldo do Nascimento
vendeu vasos de flores com gesso, a fim de evitar o acúmulo de
água.