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Ano 5 - Número 114
São João del-Rei, 1º quinzena de novembro de 2008
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“Jovem desconhecida” ainda atrai centenas de pessoas ao cemitério
O túmulo da jovem foi o mais visitado
 

        O Dia de Finados, celebrado no último domingo, 2, movimentou os cemitérios de São João del-Rei. Mais de três mil pessoas passaram somente pelo Cemitério Municipal durante todo o dia, segundo informações do coveiro Darci Mateus de Paula. Além de reverenciar parentes, amigos e companheiros mortos, os são-joanenses aproveitaram para comparecer ao túmulo mais visitado, o da “jovem desconhecida”.
Piedade, fé e também muita curiosidade levaram centenas de pessoas a depositarem flores, acenderem velas ou simplesmente observarem a sepultura da menina, morta no dia 1º de janeiro de 1970. Relatos dos presentes divergem sobre a maneira como ela foi assassinada. Não se sabe, também, qual era seu nome e tampouco a sua origem. A única certeza é que sua misteriosa morte comoveu a população, que, desde então, passou a freqüentar o cemitério para orar pela alma da jovem e, ainda, fazer pedidos.
Zuleima Barbosa Félix se mudou para São João del-Rei em 1982 e “desde então acendo vela para a menina e já tive diversas graças alcançadas”, contou. Ao contrário de Zuleima, que conheceu a jovem através de comentários do povo, Mercês Amaro acompanhou toda a história. E desde o assassinato ela vai ao cemitério rezar, agradecer e rogar. A devoção à “jovem desconhecida” é tão grande que foi passada para outras gerações da família, como a sua filha, que à época tinha apenas um ano de idade e agora, com 36, acompanha a mãe nas visitas ao jazigo. “Quando queremos ter alguma solicitação atendida, visitamos o túmulo durante oito segundas-feiras consecutivas”, explicou Mercês Amaro.

Flores
O funcionário público aposentado, Cid da Silva Rios, há 20 anos aproveita a data para incrementar a renda familiar com a venda de flores artificiais na porta do cemitério. Segundo ele, a média de preço, esse ano, girou em torno de R$ 2,50 e R$ 3,00. Mas, por conta do aumento da concorrência, o vendedor acredita que houve queda nas vendas. “A estimativa é que mantivemos os números de 2007, quando vendemos 200 peças”, declarou.
Para garantir o lucro, Cid Rios chegou ao cemitério às 4 horas. Já o comerciante Reginaldo Luís do Nascimento foi ainda mais precavido e conquistou seu lugar às 3 horas. Em sua barraca, improvisada em cima de uma bicicleta, os buquês custavam R$ 3,00 e o vaso R$ 2,00. De acordo com Reginaldo do Nascimento, a crise financeira mundial, que elevou o valor do dólar, afetou o comércio de flores, já que elas são importadas. “Houve um aumento de 45% no preço e o vendedor ambulante, que não tem a mesma estrutura que os lojistas, fica em desvantagem”, analisou.

Dengue
A prevenção contra o mosquito da dengue também marcou o Dia de Finados. Faixas e materiais informativos estavam distribuídos pelo cemitério, atentando para os cuidados que a população deve ter, principalmente com a água parada em recipientes de plantas. Consciente da necessidade de se precaver, Reginaldo do Nascimento vendeu vasos de flores com gesso, a fim de evitar o acúmulo de água.

 
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